
Seu filho reclama de dor nas pernas no fim do dia ou acorda à noite chorando? Isso pode ser um sinal das chamadas dores de crescimento, algo muito comum entre crianças de 3 a 12 anos.
Apesar do nome, essas dores não têm relação direta com o crescimento dos ossos. A boa notícia é que elas não causam nenhum dano e tendem a desaparecer com o tempo. Ainda assim, é importante saber identificar os sintomas e descobrir maneiras de aliviar o desconforto do seu pequeno.
O crescimento infantil saudável envolve fatores que vão desde a nutrição e o ambiente em que a criança vive, ao acompanhamento médico regular para conferir os marcos de desenvolvimento. Crianças que não estão crescendo como deveriam e apresentam baixa estatura precisam receber orientação do pediatra quanto à necessidade de buscar tratamento para o crescimento.

A demora no crescimento pode estar relacionada à deficiência de hormônio do crescimento, o principal hormônio produzido na infância para crescimento e desenvolvimento dos ossos. Existem exames de GH que ajudam a detectar se a produção do GH está em dia ou não, e ainda exames de imagem como o raio-x das mãos, chamado de exame de idade óssea, para verificar o crescimento dos ossos.
Geralmente, a dor surge no fim da tarde, à noite ou perto da hora de dormir. Muitas vezes, pode até acordar a criança no meio da noite — o que assusta os pais, mas costuma desaparecer pela manhã como se nada tivesse acontecido.
As dores costumam afetar as duas pernas ao mesmo tempo, principalmente na parte da frente das coxas, atrás dos joelhos ou nas panturrilhas. Algumas crianças descrevem como uma dor aguda, outras comparam a cãibras. O que elas têm em comum? Nenhum outro sintoma físico associado durante o dia.
Se seu filho está ativo, brincando normalmente e não apresenta sinais como febre ou dificuldade para andar, é provável que esteja passando por esse processo natural.
Por muito tempo acreditava-se que os picos de crescimento ósseo eram os culpados — mas hoje sabemos que não é bem assim. A explicação mais aceita é que essas dores estejam ligadas à atividade física do dia. Pular, correr, subir, descer… tudo isso exige muito da musculatura infantil.
Algumas crianças, inclusive, sentem mais dor depois de um dia mais agitado. E há outros fatores que podem contribuir:
Nem sempre é fácil diferenciar as dores de crescimento de outros tipos de dor. Por isso, é essencial observar o comportamento da criança. Veja alguns sinais que ajudam a identificar esse tipo de dor:
Se a dor for recorrente, mesmo sem sinais de infecção ou trauma, vale conversar com o pediatra.
Na maioria dos casos, as dores de crescimento não são motivo para preocupação. Durante a infância e adolescência, inclusive, ocorre o estirão do crescimento, um crescimento acelerado que traz mudanças significativas no corpo dos meninos e das meninas. No entanto, é importante ficar atento a outros sintomas. Leve seu filho ao médico se ele apresentar:
Esses sintomas podem indicar outras condições que exigem avaliação mais detalhada.
Apesar de não haver uma cura específica, é possível aliviar o incômodo e ajudar seu filho a dormir melhor. Algumas estratégias simples podem fazer toda a diferença:
Se a dor persistir, o médico pode recomendar analgésicos infantis, como paracetamol ou ibuprofeno. Mas atenção: nunca dê aspirina a uma criança, pois ela está associada à síndrome de Reye — uma condição rara, mas grave.
Dores de crescimento são desconfortáveis, sim, mas fazem parte da infância de muitas crianças e tendem a desaparecer com o tempo. Saber reconhecer os sinais, oferecer conforto e conversar com o médico quando necessário é essencial para lidar com esse processo com mais tranquilidade.
Se você está passando por isso com seu filho, saiba que não está sozinha. E lembre-se: com carinho, paciência e algumas estratégias simples, seu pequeno vai voltar a dormir tranquilo em pouco tempo.
Referência: www.webmd.com/children
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.
*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787