
Quando falamos em bullying com crianças na internet, muita gente pensa logo nos casos mais extremos: ameaças diretas, perseguição ou ataques preconceituosos.
Mas um estudo recente mostrou que até atitudes aparentemente “inofensivas” podem deixar marcas emocionais profundas em crianças e adolescentes.
E não estamos falando de algo raro: mais de 30% dos estudantes no mundo já passaram por algum tipo de bullying. Na era das redes sociais e dos grupos de mensagens, o cyberbullying, bullying feito online, é ainda mais comum e, infelizmente, mais difícil de escapar.

O cyberbullying de qualquer forma pode ser traumatizante para as crianças
Pesquisadores da Florida Atlantic University, junto com a University of Wisconsin-Eau Claire, ouviram quase 2.700 estudantes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos. Eles analisaram 18 formas diferentes de cyberbullying, como:
O resultado? Todas essas situações, até as mais “indiretas”, como exclusão e boatos, podem gerar traumas tão sérios quanto ameaças diretas.
O estudo mostrou que quase 9 em cada 10 adolescentes já viveram pelo menos uma dessas situações. E quanto mais vezes a vítima passa por isso, maiores são as chances de desenvolver sintomas de estresse pós-traumático, como ansiedade, dificuldade para dormir e sensação constante de insegurança.
Um dado importante: meninas e adolescentes mais jovens tendem a sofrer mais com os impactos emocionais. Mas, no fim das contas, o que mais influencia não é o gênero ou a idade, e sim a frequência com que o bullying acontece.
A exclusão de um grupo de conversa pode parecer “coisa boba” para quem vê de fora, mas para o jovem que vive isso, a dor é real. Isso pode afetar a autoestima, a confiança nas pessoas e até a forma como ele se enxerga no mundo.
Os pesquisadores reforçam: todo tipo de cyberbullying deve ser levado a sério. Pequenos atos repetidos podem ter o mesmo peso emocional que ataques mais visíveis.
Para diminuir os danos do cyberbullying, o estudo sugere investir em:
Criar espaços seguros, tanto online quanto presencialmente, é essencial para que crianças e adolescentes se sintam protegidos e respeitados.
O cyberbullying não precisa ser “extremo” para machucar. Seja uma ameaça direta ou um convite negado para um grupo de conversa, o efeito emocional pode ser devastador. Reconhecer isso é o primeiro passo para mudar a realidade.
Referência: https://www.sciencedaily.com/releases/2025/05/250515131952.htm
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.