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Carreira e maternidade

Conciliar carreira e maternidade é um dos maiores desafios enfrentados pelas mulheres na atualidade. Isso porque muitas mulheres acreditam que precisam abdicar de um sonho para realizar outro.

O dilema entre avançar profissionalmente ou se dedicar à criação dos filhos ainda gera insegurança e, muitas vezes, leva mulheres a adiar a maternidade ou até abandonar a carreira. No entanto, com planejamento adequado e acesso a técnicas de reprodução humana assistida, é possível equilibrar esses dois aspectos tão importantes da vida.

Maternidade ou carreira: é preciso escolher?

A ideia de que mulheres devem escolher entre ser mães ou ter uma carreira bem-sucedida ainda persiste, mas a realidade mostra que conciliar esses dois papéis é possível. No entanto, a dupla jornada – trabalho e cuidado com os filhos – incluindo responsabilidades domésticas que muitas mulheres têm como uma tripla jornada, impõe um peso significativo. Por isso, muitas mulheres priorizam a estabilidade financeira antes de engravidar.

Se a decisão for adiar a maternidade, é fundamental avaliar a reserva ovariana para garantir que ainda existam chances de engravidar no futuro. A boa notícia é que avanços na medicina, como o congelamento embriões ou óvulos, oferecem mais flexibilidade para mulheres que desejam postergar a gravidez.

Mulher sentada em uma mesa, concentrada em seu notebook. Ao lado, um copo de café e um caderno com anotações. O ambiente é iluminado e organizado, refletindo a conciliação entre carreira e maternidade.

Equilibrar carreira e maternidade é um desafio diário, mas é possível! Com organização e foco, muitas mulheres estão conquistando seus objetivos profissionais sem abrir mão dos momentos em família.

Planejamento familiar: o papel da reprodução assistida

Para mulheres que priorizam a carreira antes da maternidade, a reprodução assistida é uma grande aliada no planejamento familiar. Métodos como o congelamento de embriões e óvulos permitem que a fertilidade feminina seja preservada, proporcionando mais tempo para focar nos objetivos profissionais.

Diferente dos homens, cuja fertilidade se mantém por décadas, as mulheres nascem com uma quantidade fixa de óvulos, e tanto a qualidade quanto a quantidade deles diminuem com o tempo. Após os 35 anos, a reserva ovariana cai significativamente, fazendo com que a mulher tenha mais dificuldade para engravidar de forma natural.

Congelamento de óvulos: uma alternativa para quem quer adiar a maternidade

O congelamento de óvulos, também conhecido como criopreservação, é um procedimento em que os óvulos são coletados, submetidos a um processo de vitrificação (resfriamento rápido) e armazenados em nitrogênio líquido. Esse método permite que a mulher utilize os óvulos no futuro, mantendo a qualidade reprodutiva do momento da coleta.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade ideal para realizar o congelamento de óvulos é até os 35 anos, período em que a fertilidade feminina está em seu auge. No entanto, mulheres de até 50 anos ainda podem recorrer a tratamentos de reprodução assistida, conforme regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.

Engravidar após os 40: o que considerar?

Embora muitas mulheres optem por engravidar após os 40 anos, é importante estar ciente dos desafios. A fertilidade feminina é naturalmente reduzida com a idade, o que pode dificultar a concepção. Além disso, há um maior risco de complicações durante a gestação, como hipertensão, diabetes gestacional e partos prematuros.

Para quem deseja engravidar mais tarde, a fertilização in vitro (FIV) com óvulos próprios congelados ou doados é uma alternativa viável. Este procedimento consiste em fertilizar o óvulo com o espermatozoide em laboratório e, posteriormente, transferir o embrião para o útero.

Desafios e soluções: como equilibrar carreira e maternidade na prática

Conciliar maternidade e carreira exige planejamento, apoio e organização. Embora desafiador, é possível equilibrar esses dois papéis com algumas estratégias práticas:

  1. Planejamento antecipado: Avalie suas metas de vida e de carreira para definir o melhor momento para a maternidade. Caso decida adiar, considere realizar exames para avaliar sua reserva ovariana e, se necessário, opte pelo congelamento de óvulos ou embriões.
  2. Rede de apoio: Contar com o suporte do(a) parceiro(a), familiares ou profissionais (como babás e creches) pode aliviar a carga do dia a dia. Dividir as responsabilidades domésticas também é essencial para garantir o equilíbrio.
  3. Flexibilidade no trabalho: Algumas empresas oferecem políticas que favorecem mães e pais, como horários flexíveis, home office e licenças estendidas. Informar-se sobre os direitos garantidos, como a licença-maternidade de até 120 dias e a licença-paternidade de 5 a 20 dias, é fundamental.
  4. Tempo de qualidade: Mais importante do que a quantidade de tempo com os filhos é a qualidade dos momentos compartilhados. Mesmo com uma rotina corrida, pequenas interações diárias fortalecem o vínculo familiar.

Políticas de apoio à maternidade no ambiente corporativo

Empresas que valorizam a diversidade e o bem-estar dos colaboradores têm investido em políticas que facilitam a conciliação entre maternidade e carreira. O Programa Empresa Cidadã, por exemplo, permite a extensão da licença-maternidade para até 180 dias e da licença-paternidade para até 20 dias em organizações cadastradas.

Além disso, há iniciativas em discussão no Congresso Nacional que propõem a licença parental, permitindo que pais e mães dividam o período de afastamento de forma mais equilibrada. Essas políticas são fundamentais para reduzir o impacto da maternidade na carreira das mulheres e promover a igualdade de gênero no ambiente corporativo.

Equilibrar carreira e maternidade é um desafio real, mas com planejamento, apoio e acesso a tecnologias de reprodução assistida, é possível construir uma trajetória profissional de sucesso sem abrir mão do sonho de ser mãe. O congelamento de óvulos e embriões oferece mais liberdade para decidir o momento ideal de engravidar, enquanto políticas corporativas inclusivas ajudam a garantir que mulheres não precisem escolher entre a maternidade e suas aspirações profissionais.

Com informação e planejamento, é possível quebrar os mitos em torno de carreira e maternidade e criar um futuro em que mulheres possam viver plenamente ambos os papéis, com autonomia e segurança.

Referência: nilofrantz

Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.

*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787