O congelamento de embriões é uma técnica de reprodução humana que permite preservar embriões nas condições ideais para serem usadas quando a mulher estiver preparada para a gestação.
Essa técnica de congelamento consiste na vitrificação com nitrogênio líquido através de um processo de resfriamento ultrarrápido. Assim, o tempo de armazenamento é indefinido, permitindo tempo necessário para o planejamento familiar.
O encontro entre óvulo e espermatozoide acontece em laboratório, através da fertilização in vitro (FIV), formando os embriões. São formados vários embriões que serão cultivados, selecionados os mais saudáveis e, entre um e dois, são transferidos ao útero, o que aumenta as chances de gravidez. Os embriões excedentes são congelados e armazenados para uso futuro em nova tentativa de concepção.
Na reprodução humana existem alguns processos pelos quais o casal, principalmente a mulher, precisa passar para de fato, chegar ao estágio de concepção. Um deles é o uso de hormônios para estimular a ovulação, já que, naturalmente, a mulher só consegue ovular uma vez ao mês, o que torna a coleta restrita. O uso de hormônios na reprodução assistida é bem comum e faz parte do processo para engravidar.

O congelamento de óvulos pode fazer parte do planejamento familiar para o casar que pretende preservar a fertilidade.
Em quais casos é indicado o congelamento de embriões
O congelamento de embriões é uma alternativa para casais e pessoas em diferentes circunstâncias. As mais comuns incluem:
Preservação da fertilidade
Quando um dos parceiros precisa realizar tratamentos médicos que podem causar infertilidade, como quimioterapia para tratamento de câncer de mama ou câncer de próstata, por exemplo, ou cirurgias em órgãos reprodutivos, o congelamento de embriões é uma forma de preservar a fertilidade e garantir a possibilidade de ter filhos no futuro. Essa técnica também pode ser escolhida em vez do congelamento isolado de óvulos ou espermatozoides.
Outra situação em que essa prática se torna viável é para casais que desejam postergar a parentalidade, mas se preocupam com a diminuição natural da fertilidade ao longo do tempo. O envelhecimento, principalmente em mulheres, é um fator que reduz as chances de uma gestação espontânea. Ainda assim, a reprodução assistida possibilita engravidar aos 40, se as técnicas certas forem usadas para o caso específico de cada mulher.
Excedente de embriões em tratamentos de FIV
Durante a fertilização in vitro (FIV), o número de embriões que pode ser transferido para o útero é limitado, geralmente entre um e três, dependendo da idade e de outros fatores específicos da paciente. Quando há embriões em quantidade maior do que a necessária para a transferência, eles podem ser congelados para uso futuro.
Essa abordagem permite novas tentativas em casos de falha na primeira transferência ou se o casal desejar uma nova gestação no futuro. Além disso, o congelamento dos embriões excedentes evita que a mulher precise passar por um novo ciclo de estimulação ovariana, tornando o processo menos cansativo e ampliando as chances de sucesso em ciclos futuros.
Reação exagerada ao estímulo ovariano
Algumas mulheres podem apresentar uma resposta intensa ao estímulo hormonal usado na FIV, desenvolvendo a chamada síndrome de hiperestimulação ovariana. Esse quadro pode causar sintomas como inchaço, dor abdominal e náuseas. Para evitar complicações adicionais, recomenda-se congelar os embriões e adiar a transferência para um momento em que a paciente esteja em melhores condições de saúde.
Esse cuidado é importante porque, se a gravidez ocorrer logo após a hiperestimulação, o hormônio hCG produzido pode intensificar os sintomas, aumentando o risco de complicações.
Como funciona o congelamento de embriões?
O processo de congelamento de embriões segue as mesmas etapas iniciais da fertilização in vitro. Primeiro, a mulher realiza a estimulação ovariana para a coleta dos óvulos, enquanto o homem fornece a amostra de espermatozoides. Em laboratório, ocorre a fertilização, gerando embriões que serão acompanhados em seu desenvolvimento.
Os embriões considerados aptos para congelamento passam pelas seguintes etapas:
- Imersão em uma solução crioprotetora, que impede a formação de cristais de gelo no interior das células;
- Acomodação em palhetas de vitrificação, que identificam os embriões com informações do casal;
- Armazenamento em nitrogênio líquido a temperaturas extremamente baixas.
Quando o casal decide utilizar os embriões congelados, eles passam por um processo de descongelamento, geralmente realizado até três horas antes da transferência para o útero. Não há um prazo máximo para armazenamento, e a qualidade do material se mantém preservada ao longo do tempo.
Qual a taxa de sucesso ao utilizar embriões congelados?
A eficácia da transferência de embriões congelados é bastante próxima à de embriões frescos, com taxas de sucesso em torno de 60%. O fator mais relevante para a probabilidade de engravidar é a idade da mulher no momento da coleta dos óvulos.
Principais benefícios do congelamento de embriões
A criopreservação embrionária é uma estratégia que oferece diversas vantagens nos tratamentos de reprodução assistida, como:
- Possibilidade de planejar o momento mais adequado para a transferência e a gestação;
- Economia em futuras tentativas, já que evita um novo ciclo de estimulação ovariana;
- Diminuição do risco de gravidez múltipla;
- Oportunidade de doar embriões excedentes para outras pessoas que desejam engravidar.
Congelamento de óvulos
Outra opção para preservar a fertilidade e poder decidir a hora de ter filhos é o congelamento de óvulos, que pode ser feito por mulheres que ainda não tem um parceiro ou que pretendem passar pela produção independente e para casais homossexuais, que pretendem usar material genético masculino para usar na fertilização. Casais homossexuais formado por homens também conseguem utilizar desta técnica a partir da doação de óvulos de banco de doadoras e através da barriga solidária, posteriormente, com os embriões prontos.
O congelamento de óvulos tem demonstrado ser uma técnica promissora na reprodução humana assistida, pois permite que as pessoas possam escolher o melhor momento para ter filhos, podendo permitir investimento na carreira profissional primeiro para depois a vida na maternidade e paternidade com tranquilidade.
Referência: https://www.clinicapronatus.com.br/reproducao-humana-assistida/congelamento-de-embrioes/
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.
*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787