Todas as mulheres que estão tentando engravidar deveriam saber dos efeitos do estresse na fertilidade feminina. Embora, seja algo comum do cotidiano e uma resposta a situações adversas da vida, o estresse pode influenciar, tanto na fertilidade da mulher, quanto na fertilidade do homem.
Para muitas mulheres, submeter-se em processo para engravidar não é uma decisão tão tranquila. E junto com essa decisão vem também as incertezas, o medo, a tristeza e muitos outros sentimentos que, se não controlados, podem prejudicar a concepção, principalmente nos casos de infertilidade, no qual a mulher precisa fazer um tratamento para engravidar.
Até 15% dos casais do mundo enfrentam dificuldades para engravidar. Muitos casos são por causa de alguma condição presente na mulher ou no homem, mas o estresse emocional e físico afeta o corpo de diversas formas, e a fertilidade não é uma exceção.
Mas afinal, como o estresse afeta a fertilidade feminina?
O corpo humano é controlado por sistemas complexos que funcionam em harmonia para manter o equilíbrio. Entre esses sistemas, o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal desempenha um papel fundamental na regulação dos hormônios reprodutivos, como o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo-estimulante (FSH), que estimula o crescimento dos folículos ovarianos, nas mulheres e a produção de espermatozoides nos testículos, nos homens.
Quando uma pessoa está sob estresse, o corpo ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, liberando hormônios como o cortisol. Esse aumento de cortisol pode desregular a produção de hormônios sexuais, afetando diretamente a ovulação em mulheres e a qualidade do esperma em homens.
Em casos de estresse prolongado, essa desregulação pode levar à amenorréia hipotalâmica funcional, um quadro em que o ciclo menstrual é interrompido temporariamente sem causa orgânica aparente. Situações como perda excessiva de peso, exercício físico intenso e distúrbios alimentares também estão associadas a esse tipo de alteração hormonal.

Os efeitos do estresse na fertilidade feminina podem ser maiores durante tratamento para engravidar.
Estresse: causa ou consequência da infertilidade?
A relação entre estresse e infertilidade é uma via de mão dupla. Enquanto o estresse pode afetar a função reprodutiva, o próprio processo de tentar engravidar e lidar com tratamentos de reprodução assistida também gera altos níveis de estresse. A própria infertilidade afeta a saúde mental da mulher, podendo trazer outros prejuízos psicológicos para quem está buscando a maternidade
Estudos demonstram que mulheres submetidas a tratamentos como a inseminação artificial apresentam menores taxas de sucesso quando possuem altos níveis de ansiedade. A pressão para conceber pode aumentar ainda mais o estresse, criando um ciclo difícil de romper.
A função reprodutiva depende de uma complexa interação entre o sistema nervoso central, glândulas endócrinas (como a hipófise e os ovários) e órgãos reprodutivos. Quando essa harmonia é quebrada pelo estresse, a ovulação pode ser prejudicada, diminuindo as chances de uma gravidez bem-sucedida.
A importância do acompanhamento psicológico em tratamentos de reprodução assistida
Diante da relação entre estresse e fertilidade, o suporte psicológico se torna um aliado essencial para quem está em busca de realizar o sonho de ser mãe. A terapia individual, de casal ou em grupo pode ajudar a lidar com as emoções intensas e o desgaste causados pela infertilidade e pelos procedimentos médicos.
O acompanhamento com um psicólogo especializado não apenas alivia a ansiedade, mas também auxilia na compreensão do processo e como lidar com o resultado negativo na reprodução assistida, na comunicação entre o casal e na gestão das expectativas. Além disso, estudos sugerem que mulheres que recebem apoio emocional apresentam maiores chances de sucesso em tratamentos de fertilidade.
Maneiras de reduzir o estresse durante tratamento de fertilidade
Se você está passando por um tratamento de reprodução assistida ou enfrentando dificuldades para engravidar, algumas estratégias podem ajudar a controlar o estresse e melhorar a qualidade de vida:
- Busque apoio emocional: Converse com amigos, familiares ou participe de grupos de apoio para compartilhar suas experiências e sentimentos.
- Pratique atividades relaxantes: Meditação, ioga, caminhadas ao ar livre e técnicas de respiração podem ajudar a reduzir os níveis de estresse.
- Estabeleça limites saudáveis: Respeite seu tempo e suas emoções, evitando pressão excessiva para engravidar.
- Considere a terapia psicológica: O acompanhamento profissional pode proporcionar um espaço seguro para lidar com as emoções e as dificuldades durante esse processo.
- Cuide do seu corpo: Mantenha uma alimentação equilibrada, pratique exercícios moderados e durma adequadamente.
Embora a ciência ainda não consiga estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre estresse e infertilidade, é inegável que o equilíbrio emocional tem um papel fundamental no sucesso dos tratamentos de reprodução assistida. Cuidar da saúde mental, buscar apoio psicológico e adotar estratégias para reduzir o estresse podem fazer toda a diferença ao longo dessa jornada.
Se você ou alguém que conhece está passando por esse processo, saiba que você não está sozinho. O caminho pode ser desafiador, mas com suporte adequado e autocuidado, as chances de realizar o sonho da maternidade ou paternidade se tornam mais tangíveis e esperançosas.
Referência: Scielo
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.
*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787