Engravidar com coito programado é uma das opções na reprodução humana para casais que enfrentam dificuldades leves para conceber.
Considerado de baixa complexidade, esse método envolve o monitoramento do ciclo menstrual da mulher e a estimulação ovariana para identificar o momento mais propício à fecundação. Engravidar com coito programado é indicado para mulheres que possuem problemas leves para ovular, por isso pode ser necessário o uso de medicamentos que ajudam a estimular a ovulação.
Além de ser indicado para casos específicos, como problemas leves de ovulação e infertilidade sem causa aparente, ele também é recomendado para mulheres jovens com idade inferior a 35 anos.
Engravidar com coito programado: como funciona?
Para que uma gravidez natural aconteça é necessário que a mulher tenha relações sexuais durante o período fértil, quando as chances de concepção são maiores. No entanto, diversas mulheres têm um ciclo menstrual irregular e muitas não conseguem identificar o período de ovulação e as vezes até apresentam uma ovulação tardia, que precisa ser diagnosticada.
Um óvulo maduro pronto para ser fertilizado fica disponível nos ovários aproximadamente de 12 a 24 horas após ser liberado do ovário durante a ovulação, aguardando um espermatozoide. O tempo pode variar de mulher para mulher.
A janela de oportunidade para concepção aumenta devido ao fato de o espermatozoide sobreviver até 5 dias no aparelho reprodutivo feminino. Ou seja, mesmo não sabendo o dia exato da ovulação, é possível engravidar naturalmente se a mulher souber mais ou menos os dias de fertilidade e ter relações sexuais programadas nesses dias.
Caso não ocorra a fertilização durante esse período, o óvulo é absorvido pelo corpo ou eliminado durante a menstruação. Dessa forma, a relação sexual programada (RSP), como também é chamado o coito programado, é um método que precisa unir o monitoramento do ciclo menstrual e a estimulação hormonal.
Se o casal já identificou que existe alguma dificuldade para engravidar, ele deve buscar ajuda médica especializada. Se depois de todos os exames indicados pelo médico não houver uma causa específica a ser tratada, então o casal pode tentar engravidar com coito programado. Ele é dividido em três etapas principais:
1. Estimulação ovariana
Estimular os ovários através de medicações específicas é essencial para aumentar as chances de gravidez. Com orientação médica, a mulher pode começar o tratamento de fertilidade com o uso de medicamentos hormonais a partir do segundo ou terceiro dia do ciclo menstrual para estimular o desenvolvimento dos folículos ovarianos.
O acompanhamento do crescimento dos folículos pode ser feito através de ultrassonografias transvaginais que vão ajudar a determinar o momento da ovulação.
A estimulação ovariana juntamente com a indução da ovulação também é indicada para mulheres que vão fazer doação de óvulos, outra técnica importante na reprodução assistida que ajuda mulheres que não ovulam por causa de algum problema de fertilidade e que também têm o sonho de ser mãe, mas não podem engravidar naturalmente.
2. Indução da ovulação
Quando os folículos atingem o tamanho médio de 18 mm, é aplicada uma dose do hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG). Esse hormônio induz a liberação do óvulo em um período de 36 a 40 horas. A liberação controlada do óvulo é essencial para sincronizar o momento ideal para a relação sexual.
3. Tentativa de fecundação
Com a ovulação induzida, o casal é orientado a intensificar a relação sexual em dias estratégicos. O objetivo é maximizar as chances de encontro entre os gametas masculino e feminino, o que ocorre nas trompas de Falópio. Após 14 dias, é recomendado realizar um teste de gravidez.
Indicações do coito programado
A escolha pelo coito programado depende de uma avaliação criteriosa do especialista em reprodução humana. Casais com infertilidade leve podem se beneficiar desse método, especialmente em situações como:
Problemas para ovular
Mulheres com condições como anovulação ou síndrome dos ovários policísticos (SOP) podem apresentar dificuldades em liberar óvulos maduros para fecundação. O coito programado, com a ajuda de medicamentos hormonais, é eficaz para contornar essa dificuldade e ajudar mulheres a engravidar com SOP.
Mulheres com menos de 35 anos
Devido à diminuição natural na qualidade e quantidade de óvulos com o passar dos anos, mulheres abaixo de 35 anos, sem outros fatores de infertilidade, são boas candidatas ao coito programado. A técnica é mais eficiente quando não há danos uterinos ou nas trompas e quando a mulher realiza exames para verificar sua reserva ovariana.
Infertilidade sem causa aparente (ISCA)
Cerca de 10% dos casos de infertilidade não possuem uma causa identificável. Para esses casais, o coito programado oferece uma alternativa menos invasiva antes de avançar para técnicas mais complexas, como a inseminação artificial ou a fertilização in vitro (FIV).
Benefícios e limitações
Embora seja um método acessível e menos invasivo, o coito programado apresenta taxas de sucesso de 18% a 20% por tentativa. O sucesso depende de fatores como idade da mulher, qualidade dos espermatozoides e adesão ao tratamento.
Caso o tratamento não resulte em gravidez após vários ciclos, é comum que o médico recomende outras técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial ou fertilização in vitro (FIV).
Dicas para aumentar as chances de sucesso
Além de seguir rigorosamente as orientações médicas, é importante adotar hábitos saudáveis durante o tratamento:
- Alimentação balanceada: Uma dieta rica em nutrientes favorece a qualidade dos gametas.
- Evitar cigarro e álcool: Substâncias nocivas prejudicam a fertilidade masculina e feminina.
- Atividade física moderada: Ajuda a regular os hormônios e reduzir o estresse.
- Acompanhamento de saúde: Controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, é essencial.
Engravidar com coito programado pode ser uma excelente opção para casais com infertilidade leve. Além de ser menos invasivo, o método oferece um caminho para realizar o sonho de ter filhos sem a necessidade de técnicas mais complexas inicialmente. É importante que o casal procure um especialista qualificado para avaliar a situação e determinar o melhor tratamento. Caso você esteja considerando essa técnica, entre em contato com um médico especializado para obter mais informações e apoio durante o processo.
Referência: https://adrianadegoes.med.br/o-que-e-coito-programado-ou-relacao-sexual-programada/