A relação entre hormônios e imunidade tem sido objeto de vários estudos nos últimos anos. Isso por que diferentes fatores podem influenciar no bom funcionamento do nosso sistema imunológico e uma dela pode ser a questão hormonal.
Uma das descobertas mais interessantes, por exemplo, é a de que os hormônios sexuais femininos podem ajudar a regular o sistema imunológico, o que explica muito sobre diferenças significativas entre homens e mulheres na resposta a infecções, vacinas e doenças autoimunes.
Não sei se já aconteceu com você, mas sabe quando um casal ou uma família pega uma dessas viroses sazonais? Geralmente quem fica mais “doente” é o homem. Ele fica de cama, reclama de dor no corpo, espirra a todo o tempo, enquanto a mulher, com os mesmos sintomas, não demonstra tanto quanto. Parece que ela é mais resistente aos sintomas.
Por muito tempo, acreditava-se que essas diferenças eram atribuídas exclusivamente à genética. No entanto, evidências atuais sugerem que os hormônios são os principais moduladores dessa dinâmica complexa. No entanto, é preciso levar em consideração que os diruptores endócrinos podem influenciar diretamente no funcionamento dos hormônios, o que, indiretamente, pode prejudicar a imunidade, devido à esta desregulação hormonal.
Essa descoberta tem potencial para revolucionar a compreensão de como o corpo combate ameaças externas e como os tratamentos médicos podem ser ajustados para cada perfil hormonal.
Como os hormônios sexuais afetam o sistema imunológico?
Pesquisadores analisaram os efeitos da testosterona e do estrogênio no sistema imunológico por meio de um estudo realizado com homens transgênero passando por terapia hormonal de afirmação de gênero. Os resultados revelaram que a alteração nos níveis hormonais influencia diretamente a resposta imunológica.
Ao longo de três meses de terapia com testosterona, observou-se um aumento significativo desse hormônio, acompanhado de uma redução nos níveis de estradiol (um tipo de estrogênio). Essas mudanças hormonais impactaram dois componentes essenciais do sistema imunológico:
- Interferon tipo 1 (IFN-1): Responsável por ativar respostas antivirais.
- Fator de necrose tumoral alfa (TNF-α): Um agente pró-inflamatório relacionado ao controle de infecções e inflamações crônicas.
Com o aumento da testosterona, o perfil imunológico dos homens trans se aproximou ao dos homens cisgênero. Isso reforça a ideia de que os hormônios têm um papel mais significativo do que os cromossomos na regulação do sistema imunológico.

Hormônios e imunidade: a influência dos hormônios no sistema imunológico
Diferenças de resposta imunológica entre homens e mulheres
Essas descobertas ajudam a esclarecer por que homens e mulheres respondem de maneira tão distinta a infecções e tratamentos. Por exemplo:
- Infecções virais: homens apresentam maior risco de complicações graves e maior taxa de mortalidade em infecções como a COVID-19.
- Vacinas: mulheres tendem a ter respostas imunológicas mais fortes, o que as protege melhor contra algumas doenças, mas também as torna mais propensas a efeitos colaterais.
- Doenças autoimunes: mulheres são mais suscetíveis a desenvolver condições como lúpus e esclerose múltipla.
A influência hormonal explica, em parte, essas diferenças. O estrogênio parece potencializar a resposta imunológica, enquanto a testosterona tende a moderá-la. Por isso, mulheres têm respostas mais intensas a ameaças, mas também são mais vulneráveis a desenvolver doenças autoimunes.
O papel do hormônio do crescimento no sistema imunológico
Outro hormônio que merece destaque é o hormônio do crescimento (GH, do inglês “growth hormone”). Embora conhecido principalmente por sua função no desenvolvimento corporal e ganho de massa muscular, o GH também exerce um papel crucial na regulação imunológica.
O hormônio do crescimento estimula a produção de células imunológicas, como linfócitos T e B, que são essenciais para a defesa contra infecções. Além disso, ele contribui para a recuperação de tecidos lesionados e fortalece a resposta imunológica após situações de estresse ou trauma.
Em indivíduos com deficiência de GH, observa-se uma redução na eficácia do sistema imunológico, o que pode aumentar a susceptibilidade a infecções e prejudicar a resposta às vacinas. Por outro lado, a suplementação controlada de GH tem sido estudada como uma estratégia para melhorar a imunidade em pacientes com imunodeficiências.
Implicações para a medicina e possíveis tratamentos
Entender como os hormônios influenciam o sistema imunológico abre novas possibilidades para a medicina personalizada. Ajustar a terapia hormonal, com base no perfil de cada indivíduo, pode melhorar a eficácia dos tratamentos e reduzir efeitos colaterais.
Essa abordagem pode beneficiar especialmente:
- Pessoas transgênero: que passam por terapia hormonal e podem necessitar de acompanhamento específico para monitorar a saúde imunológica.
- Pacientes com doenças autoimunes: onde o controle hormonal pode modular respostas hiperativas do sistema imunológico.
- Idosos: que apresentam alterações hormonais naturais e uma redução progressiva na função imunológica.
A conexão entre hormônios e imunidade é um campo fascinante e em constante evolução. As descobertas recentes reforçam que os hormônios sexuais e o hormônio do crescimento desempenham papéis essenciais na regulação da resposta imunológica.
Falando de imunidade, outra preocupação é a de como fortalecer a imunidade da criança, já elas também são bastante susceptíveis e infecções virais, principalmente em período escolar.
Compreender essas interações pode transformar a forma como prevenimos e tratamos doenças, abrindo caminho para terapias mais eficazes e personalizadas que considerem as particularidades hormonais de cada indivíduo. O futuro da medicina pode estar diretamente ligado a esses avanços, proporcionando mais saúde e qualidade de vida para todos.
Referência: Imunobiotech
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.
*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787