Trombofilia na gravidez: entenda os riscos e como proteger mãe e bebê

Ao contrário do que muitos pensam, a trombofilia não é uma doença propriamente dita, mas uma condição que pode surgir ou se agravar durante a gravidez.

Por isso, é essencial que mulheres que estão tentando engravidar ou já gestantes tenham um acompanhamento pré-natal rigoroso e realizem os exames indicados pelo médico. A trombofilia pode afetar diretamente a gestação, colocando em risco a saúde da mãe e do bebê.

O pré-natal deve ser levado a sério desde o início, especialmente para mulheres com histórico de abortos, trombose ou casos semelhantes na família. Os exames para fazer antes de engravidar são essenciais para garantir uma gestação mais segura.

O que é trombofilia?

Trombofilia é o nome dado à tendência aumentada de desenvolver coágulos no sangue, ou seja, à trombose. Isso acontece quando há um distúrbio na coagulação que torna o sangue mais “grosso”, favorecendo o entupimento parcial ou total das veias.

Durante a gravidez, essa tendência se intensifica, já que o organismo naturalmente aumenta a coagulação para proteger a gestante de grandes sangramentos no parto. No entanto, esse mecanismo de defesa pode se transformar em risco, levando a abortos precoces, morte fetal, restrição de crescimento intrauterino e prematuridade.

Mulher revela diagnóstico de trombofilia

A trombofilia é uma doença do sangue, que altera os processos de coagulação e aumenta a chance de formação de coágulos.

Trombofilia hereditária e adquirida: qual a diferença?

Existem dois tipos principais de trombofilia. A hereditária, que tem origem genética e pode passar de geração em geração, e a adquirida, que surge ao longo da vida, influenciada por fatores como o uso de hormônios, cirurgias, longos períodos de imobilização, viagens aéreas prolongadas e, claro, a gestação.

Um dos quadros mais comuns de trombofilia adquirida é a síndrome antifosfolípide, que representa cerca de 60% dos casos. Nesse caso, o corpo produz anticorpos que estimulam a coagulação, aumentando os riscos de obstrução dos vasos sanguíneos.

Quais são os riscos da trombofilia na gravidez?

Quando os coágulos atrapalham a circulação sanguínea, as consequências podem ser graves tanto para o bebê quanto para a mãe. Entre os riscos estão:

  • Aborto espontâneo, especialmente nos primeiros meses de gestação;
  • Restrição de crescimento fetal;
  • Morte fetal intrauterina;
  • Descolamento prematuro da placenta;
  • Parto prematuro;
  • Pré-eclâmpsia e eclâmpsia;
  • Embolia pulmonar (em casos mais graves).

Além disso, mulheres com mais de 35 anos, obesidade, gravidez gemelar, histórico de câncer, varizes, anemia falciforme, doenças cardíacas ou episódios anteriores de trombose estão no grupo de risco e devem ter atenção redobrada.

Quando investigar a trombofilia?

A trombofilia geralmente é investigada em casos de aborto de repetição — ou seja, quando a mulher já sofreu dois ou mais abortos espontâneos, principalmente antes da décima semana de gestação — ou após um aborto ocorrido depois da décima semana.

Também são considerados sinais de alerta o histórico pessoal ou familiar de trombose, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, além de casais com diagnóstico de infertilidade por causas genéticas.

A avaliação deve ser feita com um hematologista, que irá solicitar exames específicos a partir do histórico da paciente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da trombofilia envolve exames laboratoriais detalhados e análise dos fatores de risco. Quando identificada, o tratamento deve começar o quanto antes, de preferência no início da gestação. A mulher pode se preparar para engravidar realizando um checklist pré-gravidez para pelo menos saber quais tendências de doenças ela tem pra ficar mais preparada para buscar ajuda.

Os principais medicamentos usados são os anticoagulantes, como a heparina, além do ácido acetilsalicílico em baixas doses. Em alguns casos, o uso de meias de compressão, elevação das pernas e atenção à hidratação também são recomendados.

O acompanhamento médico precisa ser constante. Durante o pré-natal, consultas frequentes e exames de monitoramento são indispensáveis para garantir o bem-estar da mãe e do bebê.

Vale lembrar que, mesmo com o tratamento, a gravidez em mulheres com trombofilia é considerada de alto risco. Isso significa que os cuidados devem ser ainda mais rigorosos.

E quando a causa da perda não é trombofilia?

A trombofilia não é a única vilã quando falamos em aborto. A maior parte das perdas gestacionais antes da décima semana está relacionada a causas genéticas, como alterações cromossômicas no embrião.

Nestes casos, exames como o teste genético POC, que analisa o material fetal, podem ajudar a identificar a causa da perda. Já os casais que estão em tratamento de reprodução humana podem recorrer ao screening genético pré-implantacional (PGS), que analisa os embriões antes da implantação, através de uma fertilização in vitro (FIV), por exemplo.

É importante destacar que esse tipo de análise genética não tem relação com a trombofilia e não substitui a avaliação hematológica.

Trombofilia é silenciosa, mas perigosa

Um dos grandes perigos da trombofilia é que ela pode ser assintomática. Ou seja, não dá sinais evidentes até que as complicações apareçam. Por isso, o acompanhamento médico, exames preventivos e um pré-natal bem feito são tão importantes.

Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • Inchaço e dor em uma perna;
  • Dificuldade para respirar;
  • Dor no peito.

Esses sinais podem facilmente ser confundidos com desconfortos típicos da gestação, o que torna ainda mais necessário o olhar atento da equipe médica.

Como prevenir complicações?

Algumas atitudes podem ajudar a reduzir os riscos durante a gestação em casos de trombofilia:

  • Fazer acompanhamento com hematologista e obstetra;
  • Iniciar o tratamento medicamentoso assim que a gravidez for confirmada;
  • Usar meias de compressão;
  • Evitar longos períodos sentada ou deitada sem movimentação;
  • Manter a hidratação em dia;
  • Praticar atividade física leve, sempre com orientação médica;
  • Evitar drogas, excesso de peso e cigarro, uma vez que fumar causa infertilidade, em alguns casos também.

Se for necessário viajar de avião, a gestante deve evitar trajetos longos (mais de quatro horas), levantar-se com frequência e alongar as pernas. Só é permitido viajar se os exames estiverem normais e com liberação médica.

A boa notícia: com tratamento, é possível ter uma gestação segura

Apesar dos riscos, a medicina evoluiu muito no tratamento da trombofilia. Quando bem acompanhadas, mulheres com a condição podem ter uma gestação segura. Para se ter uma ideia, a chance de ter um filho vivo em casos de síndrome antifosfolípide sobe de 10% para até 90% com o tratamento adequado.

Mas, mesmo com todos os avanços, a principal mensagem continua sendo a mesma: cuide da sua saúde desde o planejamento familiar da gestação. Faça os exames, acompanhe com profissionais de confiança e não ignore nenhum sinal do seu corpo. Seu bebê e sua saúde agradecem.

Referência: ivi.net.br/blog/trombofilia

Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.

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