
Ao contrário do que muitos pensam, a trombofilia não é uma doença propriamente dita, mas uma condição que pode surgir ou se agravar durante a gravidez.
Por isso, é essencial que mulheres que estão tentando engravidar ou já gestantes tenham um acompanhamento pré-natal rigoroso e realizem os exames indicados pelo médico. A trombofilia pode afetar diretamente a gestação, colocando em risco a saúde da mãe e do bebê.
O pré-natal deve ser levado a sério desde o início, especialmente para mulheres com histórico de abortos, trombose ou casos semelhantes na família. Os exames para fazer antes de engravidar são essenciais para garantir uma gestação mais segura.
Trombofilia é o nome dado à tendência aumentada de desenvolver coágulos no sangue, ou seja, à trombose. Isso acontece quando há um distúrbio na coagulação que torna o sangue mais “grosso”, favorecendo o entupimento parcial ou total das veias.
Durante a gravidez, essa tendência se intensifica, já que o organismo naturalmente aumenta a coagulação para proteger a gestante de grandes sangramentos no parto. No entanto, esse mecanismo de defesa pode se transformar em risco, levando a abortos precoces, morte fetal, restrição de crescimento intrauterino e prematuridade.

A trombofilia é uma doença do sangue, que altera os processos de coagulação e aumenta a chance de formação de coágulos.
Existem dois tipos principais de trombofilia. A hereditária, que tem origem genética e pode passar de geração em geração, e a adquirida, que surge ao longo da vida, influenciada por fatores como o uso de hormônios, cirurgias, longos períodos de imobilização, viagens aéreas prolongadas e, claro, a gestação.
Um dos quadros mais comuns de trombofilia adquirida é a síndrome antifosfolípide, que representa cerca de 60% dos casos. Nesse caso, o corpo produz anticorpos que estimulam a coagulação, aumentando os riscos de obstrução dos vasos sanguíneos.
Quando os coágulos atrapalham a circulação sanguínea, as consequências podem ser graves tanto para o bebê quanto para a mãe. Entre os riscos estão:
Além disso, mulheres com mais de 35 anos, obesidade, gravidez gemelar, histórico de câncer, varizes, anemia falciforme, doenças cardíacas ou episódios anteriores de trombose estão no grupo de risco e devem ter atenção redobrada.
A trombofilia geralmente é investigada em casos de aborto de repetição — ou seja, quando a mulher já sofreu dois ou mais abortos espontâneos, principalmente antes da décima semana de gestação — ou após um aborto ocorrido depois da décima semana.
Também são considerados sinais de alerta o histórico pessoal ou familiar de trombose, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, além de casais com diagnóstico de infertilidade por causas genéticas.
A avaliação deve ser feita com um hematologista, que irá solicitar exames específicos a partir do histórico da paciente.
O diagnóstico da trombofilia envolve exames laboratoriais detalhados e análise dos fatores de risco. Quando identificada, o tratamento deve começar o quanto antes, de preferência no início da gestação. A mulher pode se preparar para engravidar realizando um checklist pré-gravidez para pelo menos saber quais tendências de doenças ela tem pra ficar mais preparada para buscar ajuda.
Os principais medicamentos usados são os anticoagulantes, como a heparina, além do ácido acetilsalicílico em baixas doses. Em alguns casos, o uso de meias de compressão, elevação das pernas e atenção à hidratação também são recomendados.
O acompanhamento médico precisa ser constante. Durante o pré-natal, consultas frequentes e exames de monitoramento são indispensáveis para garantir o bem-estar da mãe e do bebê.
Vale lembrar que, mesmo com o tratamento, a gravidez em mulheres com trombofilia é considerada de alto risco. Isso significa que os cuidados devem ser ainda mais rigorosos.
A trombofilia não é a única vilã quando falamos em aborto. A maior parte das perdas gestacionais antes da décima semana está relacionada a causas genéticas, como alterações cromossômicas no embrião.
Nestes casos, exames como o teste genético POC, que analisa o material fetal, podem ajudar a identificar a causa da perda. Já os casais que estão em tratamento de reprodução humana podem recorrer ao screening genético pré-implantacional (PGS), que analisa os embriões antes da implantação, através de uma fertilização in vitro (FIV), por exemplo.
É importante destacar que esse tipo de análise genética não tem relação com a trombofilia e não substitui a avaliação hematológica.
Um dos grandes perigos da trombofilia é que ela pode ser assintomática. Ou seja, não dá sinais evidentes até que as complicações apareçam. Por isso, o acompanhamento médico, exames preventivos e um pré-natal bem feito são tão importantes.
Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:
Esses sinais podem facilmente ser confundidos com desconfortos típicos da gestação, o que torna ainda mais necessário o olhar atento da equipe médica.
Algumas atitudes podem ajudar a reduzir os riscos durante a gestação em casos de trombofilia:
Se for necessário viajar de avião, a gestante deve evitar trajetos longos (mais de quatro horas), levantar-se com frequência e alongar as pernas. Só é permitido viajar se os exames estiverem normais e com liberação médica.
Apesar dos riscos, a medicina evoluiu muito no tratamento da trombofilia. Quando bem acompanhadas, mulheres com a condição podem ter uma gestação segura. Para se ter uma ideia, a chance de ter um filho vivo em casos de síndrome antifosfolípide sobe de 10% para até 90% com o tratamento adequado.
Mas, mesmo com todos os avanços, a principal mensagem continua sendo a mesma: cuide da sua saúde desde o planejamento familiar da gestação. Faça os exames, acompanhe com profissionais de confiança e não ignore nenhum sinal do seu corpo. Seu bebê e sua saúde agradecem.
Referência: ivi.net.br/blog/trombofilia
Escrito por: Darcicleia Oliveira, jornalista, redatora e social media.
*Com supervisão do farmacêutico responsável: Pedro Monteiro Ribeiro Neto CRF-BA 14787